sábado, 23 de abril de 2016

Cuidado com a aparência do bem (sermão em áudio)

"Abstende-vos de toda aparência do mal"
1 Tessalonicenses 5:22

Para ouvir esse sermão apenas clique em play

Nesse sermão eu exploro a lógica de 1 Tessalonicenses 5:22 ao contrário. Ao invés de falar do "mal", porém, eu falo do potencial negativo da "aparência do bem", coisa com a qual a maioria das pessoas não se preocupa. Espero que esse sermão seja útil para a edificação da igreja


Graça e Paz!

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sexta-feira, 22 de abril de 2016

Reforma política, Trindade e negação do EU

"considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus." 
(Romanos 6:11)

Reforma política, Trindade e negação do EU.
Pensando hoje na situação social e política de nosso país, percebo que tenho refletido em temas interligados que jamais me ocorreram antes dessa situação tão dramática em meio ao turbilhão dessa crise sem precedentes.
Vendo um programa onde Alexandre Garcia entrevistada um senador (PT) e uma senadora (PMDB) a respeito do prosseguimento do processo de impeachment no senado fui lembrado que todos os presidentes desde FHC têm falado em "reforma política", mas o tema não sai do papel, sendo bem mais lento que o processo de Eduardo Cunha na Câmara dos deputados (o mais lento de toda a história).
Qual a razão principal?
As maiores bancadas são decisivas para a aprovação de qualquer projeto e uma reforma política que torne nosso país melhor representado e melhor governado implica em que tais partidoes/bancadas cortem na própria carne e isso ninguém quer fazer!
Estudando o livro de Dorothy Sayers sobre "a mente do Criador" (http://www.erealizacoes.com.br/produto/a-mente-do-criador) tenho refletido sobre a natureza trinitária da criatividade humana e hoje pensei algumas coisas a respeito de uma estrutura trinitária na divisão entre nossos três poderes na república federativa do Brasil em seu estado democrático de direito.
O que eu pensei a partir disso?
Houve um "poder" que cortou em sua própria carne. Jesus (tão poderoso quando o Pai e o Espírito Santo) fez o que ninguém no poder quer fazer, perder. Perder privilégio, perder honra, mesmo perder paz, prazer ou acima de tudo perder a vida.
Nessa atitude Jesus demonstrou não somente um ótimo exemplo, mas a radical diferença entre a lógica e postura humana e divina diante das coisas. Enquanto cada um tenta proteger seus benefícios de todas as formas, Jesus se expôs a não ter onde reclinar a cabeça e depois à cruz.
O resultado da atitude de Cristo vai além de criar "governabilidade", ele cria redenção para aquilo que de outra forma não tem perdão.
Nosso país não tem solução nem perdão enquanto proteger e celebrar o egoísmo humano que a tudo corrompe.
Se o nosso país decidir cortar na própria carne e especialmente se os ricos e poderosos entenderem que não é possível que toda a sociedade viva bem numa estrutura tão injusta e tomem decisões que limitem sua riqueza e militem contra a ganância desenfreada, talvez haja solução se agirmos de forma competente e continuada a partir de ontem.
A solução, porém, esbarra ou é absolutamente impedida na dificuldade em que cada um tem para "morrer". Não falo da morte natural, mas a morte espiritual para o pecado além da qual nenhum compromisso há com o egoísmo até então reinante.
Se houver uma morte para o eu da parte dos poderosos, pode ser que haja uma reforma política, de outra forma, não adiantará NADA mudarmos nossa presidente Dilma por um presidente Temer que além de certa dignidade e esperança restaure pelo menos o uso básico do vernáculo nos limites do território nacional. Caso seja só isso o que o "novo governo" tenha a oferecer, pouquíssima coisa vai melhorar de verdade e a única solução será o fim do mundo.
Politicamente, creio ser possível inspirar a sociedade com princípios espirituais tais que freiem uma maior iniquidade enquanto Jesus não vem, mas não creio que o mundo se converterá.
Resta-nos ser uma igreja que prega o Evangelho com vistas à salvação de indivíduos que tenham coragem de morrer para o EU, e não devemos converter o corpo de Cristo numa entidade política que se iluda com a morte para o EU de poderosos que, então, de posse da verdade do Evangelho possam agir para diminuir injustiças mil.
As injustiças em nosso país não são terríveis apenas pelo quadro moral que proporcionam em nível teórico, mas pela miséria prática que tal postura gera em muitos sentidos apesar de sermos uma das nações mais ricas de todo o mundo. E o Evangelho é única solução eficaz!
Att, Pr. Ezequiel Gomes

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sábado, 27 de fevereiro de 2016

Perfeccionismo X Nova Teologia – Uma discussão em perspectiva

A igreja de Cristo na Terra será imperfeita, mas Deus não destrói Sua igreja por causa de sua imperfeição.
(EGW, A igreja remanescente, p. 42)

“Perfeccionismo” Versus “Nova Teologia” – Uma discussão em perspectiva.

Minha história pessoal com o tema

Desde que Jesus Cristo me alcançou, eu aprendi muita coisa que eu não sabia. Além disso, tornei-me uma pessoa muito melhor que era, apesar de permanecer até hoje um ser humano muito ruim, imaginem então como que eu era antes desse encontro! Mas de tudo que aprendi como cristão adventista um assunto me chamou mais a atenção do que os outros (sem fazer juízo de valor sobre temas diferentes), o tema da perfeição cristã, especialmente à luz da ideia do fechamento da porta da graça. Esse tema concentrou grande parte do meu interesse teológico e dos meus esforços acadêmicos desde há muitos anos até hoje.

Houve um tempo (entre seis e três anos atrás, mais ou menos) onde eu discutia quase que diariamente esse assunto na internet de maneira geral com pessoas que pensam de forma diferente de mim, várias delas. Nesse processo aprendi muito sobre a teologia pós-lapsariana e sobre as pessoas por detrás dessa teologia. Não que as muitas pessoas diferentes que crêem nessa ideia sejam todas iguais, longe disso, mas os padrões de pensamento e construção teológica não variam muito nas discussões específicas, então já li, vi e ouvi repetidamente os mesmos argumentos sendo colocados por pessoas diferentes em contextos diferentes a fim de defender uma e a mesma ideia, podemos (ou poderemos em breve) viver sem cometer pecado.

A ideia em si (viver sem pecar) não me foi inicialmente repulsiva quando comecei a entrar em contato com ela, mas a forma de se defender essa possibilidade sempre me pareceu, no mínimo, insatisfatória. O maior responsável humano por minha ojeriza pelo perfeccionismo foi um ex-professor de teologia no IAENE (instituto adventista de ensino do Nordeste) extremamente culto, gente fina acima da média dos pastores professores de teologia e alguém radicalmente ancorado nas questões básicas dessa ideia no adventismo. O nome dele era Joaquim de Azevedo. Ele defendia dentro e fora do SALT (seminário latino americano de teologia) a natureza pecaminosa de Cristo e “idêntica” à nossa natureza, a vitória completa sobre o pecado antes e/ou após o fechamento da porta da graça e a possibilidade de atingirmos genuína “perfeição”.

Eu era novo na igreja quando cheguei ao seminário de teologia e não tinha o menor preconceito contra tais ideias, as avaliei sempre com a seriedade que elas merecem. Mas nesse processo uma coisa em especial me chamou a atenção, sempre tive a impressão de que essa ideia toda incluía a defesa de um ponto de vista um pouco estranho. E o ponto é o seguinte:

As pessoas pecam e são imperfeitas “porque querem pecar e ser imperfeitas” por sua rebeldia deliberada em aceitar “a verdade” (venha ela da Bíblia ou de EGW, com ênfase especial nessa segunda fonte de autoridade).

Essa impressão foi a primeira razão que me fez questionar as teorias do professor supracitado e tudo o que elas representam na IASD.

Logo, entretanto, eu entendi que a visão dele não era a única visão dentro da igreja e tive especialmente um professor radicalmente contra todo esse “perfeccionismo” do Joaquim. O nome dele era Luis Nunes. Um pastor inspirador por sua forma contundente de pregar o Evangelho. Um excelente ganhador de almas, batizou milhares de pessoas através de sua atuação evangelística na época em que não era professor. Ele foi uma grande influência na minha vida.

Isso tudo ocorreu há quase 10 anos atrás (estudei no IAENE entre 2007 e 2008) e me fez pensar muitas coisas sobre muitas coisas. Sempre li muito e sempre fui alguém com pensamento crítico e dediquei-me a aprender esse assunto especificamente. Nesse processo todo, amadureci imensamente como cristão e como líder da igreja e a partir da construção das minhas próprias convicções sobre o assunto é que passei a defender a verdade e a atacar o erro sendo fiel à minha consciência baseada na Bíblia acima de tudo. Hoje, provável e possivelmente sou o pastor brasileiro que mais produziu materiais em áudio sobre esse assunto em geral em todo o território da DSA, mesmo sendo iniciante no ministério adventista.

Através de minha postura sobre o tema fiz muitos amigos e alguns inimigos, mas não por vontade própria. Hoje, há quem me ame e há quem me deteste. Há quem creia que eu sou usado por Deus e há quem creia que eu sou usado pelo Diabo. Mas as discussões sobre esse assunto precisam ser supra-pessoais. Não estamos numa luta de Joaquim contra Luis Nunes, nem de Perfeccionistas malignos contra Pecadores contumazes. A luta em torno desse assunto é uma luta em torno da verdade bíblica a respeito da humanidade, do pecado, de Cristo, da salvação e do fim do mundo.

No passado, quando eu discutia esse assunto e perdia muito tempo com ele nas redes sociais, tive posts que chegaram a ter mil comentários. Centenas ou milhares de textos bíblicos e de EGW eram colocados aliados a centenas ou milhares de argumentos. Com esse tipo de embate eu comecei a amadurecer minha abordagem e quando eu comecei a aprender a combater essa ideia de forma mais efetiva, contundente e potencialmente séria, aqueles que tentavam me converter para “a verdade da vitória contra o pecado” começaram a tentar a prejudicar meu ministério por meios que só mesmo o inferno conhece e admite. Isso me mostrou como é que é a tal vitória contra o pecado e perfeição na prática.

Ver amplamente como essa ideia toda funciona na teoria e na prática me fez perder parte de minha proverbial paciência com essa discussão e tenho estado, em grande medida longe dela, já há uns 2-3 anos. Mesmo assim, eu sou apaixonado por esse assunto e esporadicamente voltei nos últimos 2-3 meses a postar coisas sobre isso e a discutir com amigos que têm acreditado nessa ideia. Tem sido bom, mas sinto o chamado a colocar as questões em torno dessa discussão em termos mais claros para o benefício e instrução daqueles que desconhecem a teoria e as implicações práticas dessa longa briga hermenêutica dentro da IASD. A isso me dedicarei brevemente no que se segue.

Contextualizando os descontextualizados

Na última quinta feira (25/02) publiquei uma breve provocação no facebook dizendo assim: “Gente! Descobri que a ‘Nova Teologia’ adventista mudou a compreensão tradicional e unânime da cristologia da igreja a partir de 1950 com a publicação do livro Questões sobre doutrina e agora ensinam erroneamente que não podemos guardar a lei de Deus e que somos pecadores (quantos absurdos!!!), vê se pode?”
E abaixo coloquei a citação:
“ela (a lei) não podia justificar o homem, porque em sua natureza pecaminosa este não a poderia guardar”
Ellen G. White, 1890
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Algumas pessoas escreveram pontos de interrogações nos comentários (???), mas eu estava sem tempo naquele momento de explicar a piada. Limitei-me a dizer que aquilo se tratava de uma “treta sem fim”.
Então, abaixo recebi uma resposta longa e desafiadora de um amigo pós-lapsariano, chamado Juliano, dizendo assim:
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Ezequiel, o texto supracitado, como muitas vezes faz, foi retirado do contexto ou não? Por vezes, você acusa outros, até mesmo colegas de ministério, de desonestidade por descontextualizar. Porém, mais uma vez você cometeu a mesma infração, o que me leva a lembrar da admoestação em Mateus 7:1-3.

O trecho citado podemos encontrar em Patriarcas e profetas, p. 268. Recomendo que se leia o capítulo, porque ele afirma exatamente o contrário do seu exposto. Para não delongar, aqui apenas postarei a parte anterior ao citado, para demonstrar:

“Havia, porém, uma verdade ainda maior a ser-lhes gravada na mente. Vivendo em meio de idolatria e corrupção, não tinham uma concepção verdadeira da santidade de Deus, da excessiva pecaminosidade de seu próprio coração, de sua completa incapacidade para, por si mesmos, prestar obediência à lei de Deus, e de sua necessidade de um Salvador. Tudo isto deveria ser-lhes ensinado.

Deus os levou ao Sinai; manifestou Sua glória; deu-lhes Sua lei, com promessa de grandes bênçãos sob condição de obediência: “Se diligentemente ouvirdes a Minha voz, e guardardes o Meu concerto, então [...] me sereis um reino sacerdotal e o povo santo.” Êx 19:5,6. O POVO NÃO COMPREENDIA A PECAMINOSIDADE DE SEUS CORAÇÕES, E QUE SEM CRISTO LHES ERA IMPOSSÍVEL GUARDAR A LEI DE DEUS; e prontamente entraram em concerto com Deus. Entendendo que eram capazes de estabelecer sua própria justiça, declararam: "Tudo o que o Senhor tem falado faremos, e obedeceremos." Êx 24:7. Haviam testemunhado a proclamação da lei, com terrível majestade, e tremeram aterrorizados diante do monte; e no entanto apenas algumas semanas se passaram antes que violassem seu concerto com Deus e se curvassem para adorar uma imagem esculpida. Não poderiam esperar o favor de Deus mediante um concerto que tinham violado; e agora, vendo sua índole pecaminosa e necessidade de perdão, foram levados a sentir que necessitavam do Salvador revelado no concerto abraâmico e prefigurado nas ofertas sacrificais. Agora, pela fé e amor, uniram-se a Deus como seu Libertador do cativeiro do pecado. Estavam então, preparados para apreciar as bênçãos do novo concerto.

As condições do "velho concerto" eram: Obedece e vive - "cumprindo-os [estatutos e juízos] o homem, viverá por eles" (Ez 20:11; Lv 18:5); mas "maldito aquele que não confirmar as palavras desta lei". Dt 27:26. O "novo concerto" foi estabelecido com melhores promessas: promessas do perdão dos pecados, e da graça de Deus para renovar o coração, e levá-lo à harmonia com os princípios da lei de Deus. "Este é o concerto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a Minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração. [...] Porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais Me lembrarei dos seus pecados." Jr 31:33 e 34.

A mesma lei que fora gravada em tábuas de pedra, é escrita pelo Espírito Santo nas tábuas do coração. Em vez de cuidarmos em estabelecer nossa própria justiça, aceitamos a justiça de Cristo. Seu sangue expia os nossos pecados. Sua obediência é aceita em nosso favor. Então o coração renovado pelo Espírito Santo produzirá os "frutos do Espírito". Mediante a graça de Cristo viveremos em obediência à lei de Deus, escrita em nosso coração. Tendo o Espírito de Cristo, andaremos como Ele andou. Pelo profeta Ele declarou a respeito de Si mesmo: "Deleito-Me em fazer a Tua vontade, ó Deus Meu; sim, a tua lei está dentro do Meu coração." Sal. 40:8. E, quando esteve entre os homens, disse: "O Pai não Me tem deixado só, porque Eu faço sempre o que Lhe agrada." João 8:29.

O apóstolo Paulo apresenta claramente a relação entre a fé e a lei, no novo concerto. Diz ele: "Sendo pois justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo." Rm 5:1. "Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei." Rm 3:31. "Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne" - ou seja, ela não podia justificar o homem, porque em sua natureza pecaminosa este não a poderia guardar - "Deus, enviando o Seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne; para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito." Rom. 8:3, 4” (ênfase suprida)

Então como vemos na inspiração, ao vir o Filho em semelhança de carne pecaminosa (sem discutir a natureza dessa expressão paulina), e condenar o pecado na carne, foi tornado possível ao homem, pela graça de Deus, harmonizar-se com a vontade divina, cumprindo-se a justiça da lei em nós, “escrita pelo Espírito Santo nas tábuas do coração”. Bem sabemos o que significa “coração” nos idos da antiguidade. Israel já poderia ter esse benefício pela fé no Messias vindouro, mas falhou nisso. Por que repetir o mesmo erro hoje imputando impossibilidade?

Graça e Paz!
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As dúvidas daqueles que desconhecem a discussão aliadas às convicções e provocações do meu amigo indicam que esse tema precisa continuar a ser trabalhado entre os adventistas brasileiros.

Aproveitando a manifestação do Juliano outros, como o Marcell, também se aproveitaram para dizer coisas do tipo assim: “Ele [referindo-se a mim, Ezequiel] adora isolar essa frase de tudo que é texto do Espírito de Profecia para contradizer o que a própria EGW ensinou. Lamentável.”

A partir disso eu afirmei que iria responder às afirmações deles, mesmo diante do fato de que eles NUNCA respondem satisfatoriamente àquilo que se lhes pergunta. A reação do Juliano foi dizer que eles respondem sim, mas “não da forma como eu gostaria” e então o Marcell disse que a minha “tática” ao debater o assunto poderia ser resumida assim:

1) isolar passagens claras da Bíblia e do Espírito de Profecia;
2) distorcer o sentido para fazer crer que podemos viver uma vida pecaminosa e que a “graça” de Deus vai passar tudo por alto;
3) repetir a acusação de Satanás de que é impossível para os filhos de Adão obedecerem à lei de Deus;
4) fazer perguntas sem sentido para desviar do foco;
5) acusar os pós-lapsarianos de “perfeccionistas”; e
6) achar que está com a razão. Fim do debate.
Diante desse amplo contexto passo a me dedicar ao breve esclarecimento dos pontos principais desse debate cada vez mais atual.
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O que é contexto e o que é descontextualizar?

Juliano me pergunta se a frase “a lei não podia justificar o homem, pois em sua natureza pecaminosa este não a poderia guardar” não está “descontextualizada”. A partir dessa pergunta ele supõe que a resposta seja sim, além de supor que eu combato a descontextualização feita por “colegas de ministério” e que, por isso, eu deveria ler Matheus 7:1-3 e me envergonhar diante de minha terrível hipocrisia em ver os erros dos outros, mas não os meus.

Essa argumentação ignora milhares de problemas, vamos a alguns deles.

Juliano não nos oferece uma definição de “descontextualização”, não oferece um ou mais exemplos onde eu combato alguma forma de descontextualização e ainda ele pessoalmente descontextualiza os textos de EGW que citou e Matheus 7:1-3 para me acusar! Estranho, no mínimo!

Perguntemos: Qual é o contexto da citação de EGW que eu ofereci? Os parágrafos imediatamente anteriores e superiores ou o capítulo inteiro ou o livro inteiro ou a obra de EGW inteira? Creio que tudo isso faz parte do “contexto”, sendo assim, qualquer pessoa que retira uma frase, meia dúzia de parágrafos, um capítulo ou um livro do “contexto” da obra de EGW como um todo, envolvendo TUDO que ela escreveu, “descontextualiza” o que ela disse para se concentrar na discussão ou aplicação de ideias particulares presentes em determinados pontos de um texto escrito por ela.

Por exemplo. Na visão de “descontextualização” como “isolamento de passagens de um contexto imediato”, o próprio Juliano retira alguns parágrafos do capítulo “a lei e os concertos” e, nisso, ele “descontextualiza”, pois que ele não citou o capítulo inteiro!

E mesmo que ele tivesse citado o capítulo inteiro ainda teria “descontextualizado” o capítulo de uma obra maior, um livro, e mesmo que tivesse citado o livro inteiro teria “descontextualizado” esse livro de uma obra maior, o conjunto de todas as coisas que EGW jamais escreveu em toda sua vida.

Assim, se esse tipo de argumentação for correta e não podemos “descontextualizar”, então não podemos citar NENHUMA frase, parágrafo, capítulo ou livro de EGW em nenhuma discussão, pois teremos que citar tudo que ela escreveu (cem mil páginas) em cada post e discussão no facebook.

Mais um exemplo, se isolar frases de um texto maior e mais completo é sinônimo de descontextualizar, então separar Matheus 7:1-3 do restante do Evangelho de Matheus também é descontextualizar. E é isso que Juliano faz, ele cita apenas a parte do livro (7:1-3) que ele acha que é adequado aos propósitos imediatos dele e não cita os versos do final do capítulo 6 nem os próximos do capítulo 7 (aliás, Matheus 5-7 foram uma unidade, um só sermão da montanha).

É óbvio que a descontextualização de frases e ideias são frequentemente mal feitas e podem ser mal usadas (cf. Mt 4:5-6), mas isolar uma frase para discutir ou pregar sua ideia não é sinônimo de fazer isso. Posso fazer uma mensagem unicamente sobre Matheus 7:1-3 sem precisar ler e pregar o sermão da montanha inteiro em determinada ocasião, assim eu também posso citar essa frase de EGW sem precisar citar meia dúzia de parágrafos anteriores ou posteriores a título de “contextualização”.

A discussão precisa ser outra. Matheus 7:1-3 é um texto contraditório em relação a seu “contexto”, essa porção do texto isolada prega o “contrário” do que o sermão da montanha? Essas são as perguntas a serem feitas e se as respostas fossem positivas então teríamos contradição na palavra de Deus. Matheus 7:1-3 em contradição com 5:15, ou 6:9, ou 8:3 e assim por diante.

Com EGW é da mesma forma, se a informação que eu expus é CONTRADITÓRIA ao contexto, então há uma contradição em EGW, essa frase está em contradição com outra(s) frase(s) e assim por diante.
Minha convicção pessoal é que EGW não se contradiz e se eu estiver correto, a frase dela que prega a incapacidade do homem guardar a lei em função de sua natureza pecaminosa é verdadeira e as implicações disso são imensas para o pós-lapsarianismo.

Mas se alguém quiser defender que a frase dela é contraditória com o pensamento dela, que traga seus argumentos e se prepare para ensinar a igreja sobre quais frases de EGW são verdadeira daquelas que não são, uma vez que assim percebemos que não podemos confiar em tudo que EGW disse.
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O homem pode ser perfeito em guardar a lei e viver sem pecar? 
É isso mesmo?

Juliano termina sua provocação dizendo que a vinda de Cristo em semelhança de carne pecaminosa torna possível ao homem, pela graça de Deus, harmonizar-se com a vontade divina de forma que a lei de Deus é escrita no coração do homem.

Eu não tenho nenhuma objeção a essa lógica a menos que ela seja usava para pregar que Jesus capacitou o homem a viver absolutamente sem pecado após sua vinda, não é isso que vemos no Novo Testamento. João pecou após a vinda de Cristo (1 Jo 1:8; Ap 22:8-9), Paulo também (Rm 7:14-25), Pedro também (Gl 2) e Tiago também (Tg 3:2). Esses homens escreveram suas cartas bem depois que Cristo já tinha vindo em semelhança de carne pecaminosa e condenado o pecado na carne e capacitado o homem a ter a lei de Deus no coração, mas não vemos vitória absoluta contra o pecado na vida deles.

Além disso, a pergunta do Juliano: “Por que repetir o mesmo erro hoje imputando impossibilidade [em o homem guardar perfeitamente a lei de Deus]?” demonstra uma dúvida direta ao que EGW disse, de que em sua natureza pecaminosa o homem não poderia guardar a lei, mas o Juliano chama essa mensagem de “erro”. Em outras palavras, EGW só fala a verdade quando ela concorda com os pós-lapsarianos!

Mas e se essa impossibilidade do homem guardar a lei em função de sua natureza tenha sido passageira e superada, que mal há nisso? Essa é uma boa questão e nos ajuda a desmascarar outra pilar da fé pós-lapsariana, a “natureza pecaminosa” de Cristo.

Para o benefício da argumentação, concedamos ao Juliano que as coisas sejam assim. Antes de Cristo vir em semelhança de carne pecaminosa ERA impossível ao homem obedecer a lei, mas AGORA É possível ao homem obedecer a lei mesmo com sua natureza pecaminosa. A pergunta que surge nesse contexto é:
Jesus Cristo já teve “natureza pecaminosa’ idêntica à natureza pecaminosa do homem por um milésimo de segundo durante sua história na terra durante a encarnação? Por que essa pergunta é importante? Porque ela desmorona o pressuposto pós-lpasariano.

Se a natureza pecaminosa dos homens lhes impediu de guardar a lei (no passado, um dia), então Jesus que guardou a lei de Deus perfeitamente durante toda a sua vida JAMAIS teve a mesma natureza pecaminosa que o homem, de outra forma ou Jesus teria deixado de ser capaz de guardar a lei ou seria MENTIRA que a natureza pecaminosa impede o homem de guardar a lei (o que EGW afirma com clareza). Ou seja, mesmo concedendo que essa impossibilidade era apenas passageira e já está superada, ainda assim, isso não ajuda o pós-lapsarianismo. Além disso, se realmente a impossibilidade está superada, desejamos conhecer pós-lapsarianos SEM PECADO hoje (cf. Ec 7:20). Apresentem-se a nós, por favor e provem que a Palavra de Deus não se aplica a vocês! Grato.
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Contradição no Espírito de Profecia?

Uma das acusações que me foram feitas nessa discussão toda é que eu isolo frases de EGW para negar o que EGW disse. Essa acusação é um pouco confusa para mim e pressupõe que há frases contraditórias na obra dela. É isso mesmo? Há frases verdadeiras e frases mentirosas na obra de EGW? Se sim, como identificar as que são verdadeiras das que são mentirosas?
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Por fim, o Marcell disse que eu tenho uma estratégia de:

1) isolar passagens claras da Bíblia e do Espírito de Profecia;
2) distorcer o sentido para fazer crer que podemos viver uma vida pecaminosa e que a “graça” de Deus vai passar tudo por alto;
3) repetir a acusação de Satanás de que é impossível para os filhos de Adão obedecerem à lei de Deus;
4) fazer perguntas sem sentido para desviar do foco;
5) acusar os pós-lapsarianos de “perfeccionistas”; e
6) achar que está com a razão. Fim do debate.

A esses pontos me dedicarei brevemente.

1) Não creio que as passagens de EGW estejam divididas entre as “claras” e as “não-claras”. Creio que todas, ou a maioria pelo menos, delas são simples e as complexidades lidam mais com os conceitos e implicações subjacentes do que com as frases em si.

Por exemplo, a frase que o homem “NÃO PODERIA guardar a lei” vinda da pena de EGW é MUITO CLARA, mas é problemática à luz dos conceitos e implicações que tal frase tem diante de outras frases dela e etc, mas o problema não é de “clareza”.

Não poder “isolar” uma frase de EGW para estudá-la equivale a dizer que não podemos “isolar” um versículo bíblico para estudá-lo. E essa metodologia não é coerente, mesmo porque, quem estaria apto a definir o número mínimo de frases ou versículos que poderíamos "isolar" a fim de estudar um tema qualquer? Polêmica inútil.

2) EGW afirma que temos “deficiências inevitáveis” (ME, v. 3, p. 195-196), portanto, pregar que somos inevitavelmente pecadores e deficientes não é “distorcer” o sentido do que ela ensinou, é apenas reconhecer o básico da realidade. Quem quiser contender que se levante dizendo que Jesus só aceita quem for “ex-pecador”.

3) Se a ideia de que é impossível guardar a lei é satânica, então EGW foi usada por ele ao escrever a frase destacada de Patriarcas e Profetas:

“a lei não podia justificar o homem, pois em sua natureza pecaminosa este NÃO A PODERIA GUARDAR”.

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4) Dê-me exemplos de perguntas sem sentido e que desviam o foco que eu fiz a você(s).

5) Quem reclama de ser acusado de ser “perfeccionista” não deveria acusar os outros de forma direta e indireta de ser apóstata usado pelo Diabo para pregar a mentira dentro da igreja sem jamais discutir ou esclarecer o mérito da questão e sem jamais demonstrar na prática a famosa "vida perfeita e sem pecado", possível, pelo menos em teoria.

6) A Palavra de Deus está com a razão e ela afirma claramente que não há homem "que não peque".

Graça e Paz

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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O Desejo da Comida dos Egípcios - sermão em áudio

"E o populacho que estava no meio deles veio a ter grande desejo das comidas dos egípcios; pelo que os filhos de Israel tornaram a chorar e também disseram: Quem nos dará carne a comer?"
Números 11:4

Para ouvir esse sermão apenas clique em Play

O episódio narrado em Números 11 e Salmo 78 frequentemente é usado para polemizar a favor do vegetarianismo. Mas será que essa utilização segue o sentido e propósito do texto bíblico?
Descubra ouvindo essa mensagem!

Faça o Download dessa Mensagem clicando aqui!!!

Graça e Paz!

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sábado, 16 de janeiro de 2016

Sobre a possibilidade de alguém perder a salvação em função de “música com bateria”, “maquiagem”, “calça comprida”, “roupas vermelhas ou cor-de-rosa”, “cinema” e afins...

Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. (Mateus 25:41)


Discussões sobre a doutrina da salvação (soteriologia) à luz da “modernização” do estilo de vida dos cristãos da atualidade podem ser muito instrutivas para identificar ideias importantes tanto nas questões de salvação quanto de estilo de vida.

A mensagem bíblica de que a salvação é “pela graça, mediante a fé” e “não vem de nós”, ainda que posterior e secundariamente gere “boas obras” de antemão preparadas por Deus para que os salvos vivam nelas (Ef 2:8-10) é importantíssima na medida em que estabelece um paradigma inamovível na relação salvação/estilo de vida. Não há estilo de vida que gere salvação a seu adepto, e se houvesse isso destruiria completamente a mensagem bíblica da salvação pela graça (cf. Rm 11:6).

Em função disso, há polêmicas sérias no mundo cristão, especialmente nas discussões entre monergismo (Deus é o único agente da salvação de um pecador) e sinergismo (Deus e homem cooperam na experiência da salvação de um pecador) que é a principal discussão entre calvinistas e arminianos à luz da sempre complicada relação entre soberania/predestinação divina e liberdade/responsabilidade humana. Essa controvérsia já divide a igreja cristã há séculos e não há a menor indicação de que tais grupos chegarão a um consenso em torno do tema, só o que tem havido é um aprofundamento de cada grupo na tentativa de expressar biblicamente sua própria visão e na tentativa de refutar biblicamente a visão contrária.

Além disso, a questão do estilo de vida adequado para os cristãos também é objeto de intenso estudo bíblico e de acalorado debate dentro das igrejas de maneira geral, sendo que cada uma delas tem sua interpretação particular (mas nem sempre em consenso dentro da própria igreja) sobre como traduzir os textos bíblicos em diretrizes práticas quanto aos desafios do mundo moderno em torno de questões gerais.
Deus admite que o salvo se envolva com um estilo de música no qual a bateria/percussão é um elemento importante? Deus aceita que uma cristã, salva, use maquiagem, calça comprida, salto alto? Deus se opõe a certas cores de roupas para os salvos, exemplos, o vermelho para as mulheres (por ser uma cor símbolo de sensualidade ou até mesmo prostituição [Ap 17:4]) ou o cor-de-rosa para os homens (por ser uma cor símbolo do feminino ou até do homossexualismo em nosso mundo)? Uma pessoa salva pode freqüentar o cinema? Mil outras perguntas poderiam surgir nesse tipo de contexto. Um cristão salvo pode: tomar remédio? Fazer uso de energia elétrica? Navegar na internet? Dirigir carros movidos a combustível fóssil? Etc. ad infinitum...

Não me proponho a me aprofundar nas possivelmente complicadas implicações doutrinárias, sociais, éticas, ecológicas e espirituais de cada possível resposta a essas e outras milhões de perguntas similares, mas desejo propor algumas perspectivas sobre as questões de uma correta relação entre salvação e estilo de vida a fim de usar minha capacidade de pensar e minha função de fazer os outros também pensarem na direção de melhor compreendermos, todos, a Palavra de Deus.
Imaginemos cristãos verdadeiros, tanto quanto é possível ser. Amor e fé, as únicas coisas que realmente importam para o cristianismo (Mt 22:34-40; Jo 13:34-35; Gl 5:6) são realidades palpáveis e reconhecidas na vida deles ainda que não em grau absoluto. Isso quer dizer que eles permanecem pecadores salvos pela graça, mas são pecadores coerentes com a mensagem cristã de uma fé que gera amor genuíno no cumprimento da missão da igreja. Nesse grupo dos “cristãos verdadeiros”, há homens e mulheres.

Agora imaginemos Jesus voltando para buscar os seus escolhidos (Mt 24:31). Naquele momento haveria espaço para Jesus dizer assim pra um desses cristãos verdadeiros? 

Você é um homem de fé e de amor a Deus e aos homens, mas em sua igreja você me louvava ao som de músicas com instrumento de percussão/bateria. Aparta-te de mim, maldito (Mt 25:41)!

Para outra pessoa, Jesus diz:

Moça, você é uma mulher de fé e de amor a Deus e aos homens, mas usa maquiagem, calça comprida, salto alto, e peças de roupa vermelhas. Aparta-te de mim, maldita (Mt 25:41)!

Para ainda outro cristão Jesus talvez diga:

Você é um homem cristão de fé e de amor a Deus e aos homens, “mas usa camisa cor-de-rosa”, ou, “mas vai ao cinema”. Aparta-te de mim, maldito (Mt 25:41)!

Poderíamos multiplicar exemplos indefinidamente.

Mas o ponto é: como avaliar uma possível postura da parte de Jesus nessa direção? Seria tal postura coerente com sua natureza, caráter e Revelação?

Já que discussões sobre esse tipo de questão nunca são simples, vamos adicionar outros elementos ao quadro geral. Músicas, maquiagens, roupas, sapatos, filmes e mil outros fenômenos em nosso mundo representam formas humanas de expressão. E o que o ser humano expressa através dessas e de outras formas? Aquilo que vai sem seu coração (cf. Mt 12:34).

E aí? Será que aquilo que está no nosso coração pode nos fazer perder a salvação?

No mesmo contexto onde Jesus fala que “a boca fala do que o coração está cheio”, ele adverte sobre o pecado imperdoável (Mt 12:31). E aí, será então que o quadro pintado acima pode realmente ocorrer? Como se posicionar diante disso?

Primeiro de tudo.

A Bíblia diz que “onde não há lei, não há pecado” (Rm 4:15).
Diretamente, a Bíblia não fala de padrões divinamente autorizados ou condenados em torno de estilos musicais, estilos de maquiagem, peças de sapato ou de roupa diferenciados em função de formato ou cor, de cinema e de tantas outras coisas que existem na realidade do nosso mundo. Por si só, essa informação precisa nos tornar cautelosos em exprimirmos uma potencial condenação de Jesus às pessoas em função desse tipo de coisa não revelada claramente na Bíblia.

Ainda assim, muitos buscam apoio para pregar que tais e outras coisas são pecado. Assim é que muitos nos lembram que o cristianismo prega que os salvos não podem amar “as coisas que há no mundo” (1 Jo 2:15). Creio que a expressão “as coisas que há no mundo” é ampla o suficiente para condenar bateria, maquiagem, calça comprida, salto alto, roupas coloridas, cinema e MUITO MAIS. Aliás, essa expressão é capaz de condenar TUDO que há no mundo, a internet, a eletricidade, o oxigênio e todo o resto.

Outras citações bíblicas são usadas na direção de fundamentar melhor e de forma mais específica esse tipo de condenação, mas no final das contas sempre há interpretações alternativas melhores do que aquelas que procuram ver uma justa condenação em função de tais questões.

Resumidamente, a Palavra de Deus fala da perdição de pessoas em função do não arrependimento de pecados reais, exemplos: “assassinatos, feitiçarias, prostituição e furtos” (Ap 9:20-21). Essas são questões reais e sérias, claramente condenadas na Palavra de Deus e, por isso, a condenação de tais é justa, o que não seria o caso de cristãos verdadeiros condenados por “música com bateria”, “maquiagem”, “calça comprida”, “roupa vermelha”, “roupa cor-de-rosa”, e “cinema”.

Para terminar. Entretanto, tais questões não podem simbolizar esses pecados e estar relacionados a eles?

A bateria não pode ser relacionada à feitiçaria pagã originária da África?

A Maquiagem também não teve uma origem pagã, no Egito, e era usada também para propósitos de sensualidade pecaminosa? 

Não poderíamos, mais ou menos nas mesmas direções, achar elementos de condenação bíblica associados à calça comprida, às roupas vermelhas ou cor-de-rosa, ao cinema e etc? Sim, mas ainda assim nossos problemas ainda não terminaram.

É verdade que quando uma música, uma roupa, uma “diversão” estão associadas ao pecado de uma pessoa, essa pessoa pode vir a ser condenada caso se manter no erro até pecar contra o Espírito Santo, entretanto há um problema.

Nem toda pessoa que ouve música com bateria tem qualquer ligação com feitiçaria. Nem toda mulher que usa maquiagem, calça, salto alto ou roupa vermelha é movida por sensualidade pecaminosa. Nem todo frequentador de cinema é um assassino em série influenciado e disposto a metralhar seus parceiros de poltrona no final de um filme.

Há casos e casos, e se nós somos capazes de diferenciar intenções potencialmente diferentes em ações perfeitamente similares, Deus o pode fazer de forma absoluta. Deus conhece as intenções e as realidades, e ninguém será condenado injustamente.

No final das contas, é plenamente possível que um não frequentador de cinema que é violento pode ser condenado por ter cometido o pecado sem perdão e torno da violência, enquanto um admirador da série “duro de matar” que viu todos os filmes de Bruce Willis no cinema (vejam que meus conhecimentos na área do cinema estão levemente ultrapassados) não seja condenado por Deus como um assassino não arrependido “maldito”.

Poderíamos multiplicar exemplos indefinidamente nas outras questões também.

Por fim,

Poucas questões podem ser mais sérias do que a condenação de um ser humano a quem Jesus morreu para salvar. Não há como lidar com isso com a superficialidade e maldade que se vê em alguns círculos ditos cristãos. Se comportamentos tais, não regulamentados claramente na Bíblia se tornam motivo de acusação e condenação mútua dentro da igreja, isso é um sintoma de algo muito mais sério, o esfriamento do amor entre os próprios cristãos (Mt 24:12). E se esfriarmos em nosso amor a Deus e aos homens, nossa vida moral “impecável” em plena negação das “músicas mundanas”, das “maquiagens de Jezabel”, das “roupas da prostituta do Apocalipse”, da aparência da homossexualidade, e das diversões “pecaminosas” não poderão evitar, na verdade, a nossa própria condenação.

O propósito desse texto não é oferecer argumentos para que alguém ouça músicas que não deseje ouvir, use roupas que não deseje usar ou vá a lugares que não deseje ir, tanto em função de sua consciência pessoal quanto das orientações da igreja nas pessoas de seus líderes (eu, inclusive). Não!!! 

O propósito é simplesmente nos lembrar que a condenação de um ser humano à perdição não pode seguir uma lógica superficial.

Graça e Paz

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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Algumas implicações da relação depressão X hermenêutica

O caminho para a vida é de quem guarda o ensino, mas o que abandona a repreensão anda errado. 
(Provérbios 10:17)

Há algum tempo atrás, tive um problema pessoal que me levou ao consultório psicológico. Após os benefícios iniciais do tratamento me interessei pela área da psicologia e adquiri bastante literatura para tentar entender melhor aquilo que afligia a mim e a outras pessoas ao meu redor.
Dentre vários livros, comprei um dos melhores materiais disponíveis no mercado editorial brasileiro sobre a depressão, dos autores Aaron Becker e Bred Alford (Depressão: causas e tratamento, 2ª edição, editora: artmed, 2011). Iniciei a leitura. Foi algo extremamente revelador para o problema que eu estava passando.
Eu simplesmente devorei o livro, grifando várias e várias páginas. Hoje, depois de um bom tempo, folheando esse livro, achei uma parte que eu havia grifado quando o li...
"Nos estágios mais graves [da depressão], os pacientes têm dificuldades até para considerar a possibilidade de que suas ideias ou interpretações talvez sejam errôneas. Eles acham difícil ou impossível considerar evidências contrárias [às suas ideias] ou explicações alternativas" (BECKER; ALFORD, 2011, p. 221)
Já superei o problema pessoal que me fez ler esse livro, mas percebo que esse assunto precisa ser tratado para além das questões pessoais e deve nos conduzir a pensar um pouquinho na psicologia da religião e sua relação com a interpretação bíblica (hermenêutica).
Imagine uma pessoa depressiva que, porventura, é uma intérprete da Bíblia ou pregadora do Evangelho. Imagine que essa pessoa tenha seu quadro de saúde mental agravado por problemas pessoais. Naturalmente, conforme o texto diz, em estágios graves da doença, a pessoa se apegará às suas ideias e interpretações da Bíblia de forma tenaz e será muito difícil ou talvez impossível fazer ela avaliar posições contrárias às dela. Se tal pessoa tiver interpretado e pregado o Evangelho corretamente, os problemas podem ser menores, mas se tal pessoa aceitou como verdade divina aquilo que é simplesmente ideia humana, ou heresia satânica a questão pode se tornar tenebrosa.
E isso é perturbador.
Quem sabe essa situação possa nos ajudar a explicarmos parte de um fenômeno cada vez mais recorrente nas redes sociais em torno das questões religiosas, a dificuldade de algumas pessoas em dar o braço a torcer independentemente da natureza dos questionamentos e refutações que um ensinamento seu venha a precisar encarar.
Há hoje, inúmeros grupos de pessoas reunidas em torno de líderes que, como porta vozes de tais grupos, pregam todo tipo de coisas diferentes entre si. Há quem garanta, acime de tudo, que tal tendência é basicamente o cumprimento profético de 2 Timóteo 4:3... Realmente isso é verdade, mas o que me interessa aqui é que o potencial de uma doença mental adicionada a esse fenômeno é muito grande.
Não estou sugerindo que cada caso de porta voz de ideias religiosas "diferentes" é um doente mental que atrai e dá voz a um bando de outros doentes mentais, nada é tão simples, mas isso pode ocorrer e creio que, de fato, isso ocorre mais corriqueiramente do que a maioria percebe.
Sou líder da igreja já há alguns anos, e nesses anos estive em debates e confrontos com muitos erros doutrinários. Problemas sobretudo com o perfeccionismo, mas também com a doutrina da Trindade e extremismos nas questões de estilo de vida. Esses embates me ensinaram muita coisa sobre as pessoas e sobre a igreja de forma geral.
Dentre essas coisas, aprendi que muitas vezes pouco ou nada importa às pessoas a força da argumentação em função da revelação bíblica ou da obra de EGW, o que realmente importa na maioria das vezes é a função social que uma doutrina (mesmo errônea) cria em um grupo e a força que tal doutrina tem em em dar sentido à vida e à "missão" da pessoa.
Uma pessoa doente mentalmente que, por alguma razão, se torne convencida de que sua missão no mundo é salvar a igreja implantando nela o perfeccionismo, o antitrinitarianismo ou o extremismo ou ainda qualquer outro erro ou heresia, tem um enorme potencial de causar confusão e briga entre os crentes e dividir a igreja, criando fanatismo.
Se a tal pessoa algum dia esteve ou ainda está bem posicionada na hierarquia da igreja, o fenômeno é multiplicado exponencialmente. A voz do doente poderá ser confundida com a voz da igreja ou do próprio Deus, e o problema pode se tornar muito complexo de ser avaliado ou resolvido.
Não estou sugerindo que aqueles que discordam de mim nas questões hermenêuticas em torno do perfeccionismo ou da doutrina da Trindade são doentes. Não! Podemos discutir tudo isso. Mas tenho certeza absoluta que alguns hereges são realmente doentes, e sua incapacidade de avaliar os argumentos contrários à sua visão se deve a um estado mental debilitado e desequilibrado.
Por isso, precisamos estar atentos à essas questões no sentido de evitar, pelo menos, dois problemas principais.
1) Devemos evitar de interpretarmos os problemas mentais de certas pessoas como se tais problemas fossem provas de que a igreja, em si, não consegue interpretar a Bíblia de forma verdadeira. Isso não é verdade. Um doente pode bater o pé contra uma interpretação da igreja por sua vida toda, mas isso não é prova de que a igreja está errada no ponto em questão. Basta avaliar honestamente se a mensagem em questão é realmente bíblica ou não, e não se todos no mundo concordam a seu respeito.
2) Devemos evitar de perdermos tempo precioso em discussões doutrinárias com aqueles que, na verdade, precisam é de ajuda psicológica, pois nesse caso estaremos gastando nossa energia com foco equivocado e tentaremos resolver um problema impossível de ser solucionado por esse método.
Com tristeza,
Pr. Ezequiel Gomes

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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Eu quero a minha igreja de volta! (Pr. Ezequiel Gomes)

Não vos lembreis das coisas passadas, nem considereis as antigas.
Eis que faço coisa nova... (Isaías 43:18-19)

Esse sermão refere-se à questões que inquietam a Igreja Adventista do Sétimo Dia em função da necessidade de pregar às novas gerações sem ser infiel à sua mensagem tradicional. Espero que esse material seja uma bênção na edificação do corpo de Cristo para todos que a assistirem!



Graça e Paz!

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